Friday, July 26, 2013

O EMBATE NOS GRUPOS SOCIAIS

(...)Há grupos de todas as cores e formatos nas redes sociais. A variedade é tão grande, que seria impossível resumi-los aqui. Essa ferramenta que começou a ser utilizada de maneira tímida, virou febre e parece não ter limite. Há grupos até para não comentar nada, só postar carinhas que traduzam a emoção de quem está postando.
Mas subitamente esses grupos sem pretensão transformam-se em máquinas de divulgação política.
Há alguns anos acompanho a evolução dos sites de relacionamento. Antes a moda era o Orkut, depois o Facebook, Twitter, entre tantos outros. A curiosidade é explicada: de que maneira esse novo tipo de contato entre as pessoas acontece e qual o formato futuro da relação humana.
Uma das formas de relacionamento são os grupos, em diferentes categorias e assuntos. Há grupos de todos e para tudo, especialmente no Facebook. Até que ponto isso pode ser uma arma contra a liberdade de expressão e o domínio da informação nas próximas décadas?
Esta é uma área nova para estudos. Há pouca pesquisa e relatos sérios sobre esse novo recurso de comunicação. O que se sabe é que a aparente inocência de grupos que reúnem pessoas que desejam trocar experiencias ou compensar o distanciamento das relações humanas pode transformar-se em uma perigosa arma de manipulação das ideias.
Denúncias de imposição ideológica, da apologia à violência e ao preconceito, da intriga e da criação de "celeiros políticos"  que pretendem atuar agressivamente nas imediações das campanhas, tornam-se comuns.
Grupos que começam com objetivos inocentes de "quero um amigo", "meu nome é X" , "Luta contra a corrupção" ou mesmo grupos de categorias profissionais, crescem rápido, chegando a milhares de membros, e de súbito tem seu objetivo inicial deturpado e desviado para objetivos particulares de grupos radicais, ligados à violência ou facções políticas extremistas ou simplesmente para campanha eleitoral.
Os grupos tornam-se o objeto de desejo de pessoas, mas também de empresas e políticos que buscam armar seus palanques, nem sempre de forma direta, mas indireta, utilizando "laranjas" que representariam a "voz popular".
Nesse emaranhado reconhecemos os liberais, os conscientes, os predadores ou os déspotas. Os "donos de grupos" tomam para si a "decisão" de manipular o destino de cem, duzentas, mil ou dez mil pessoas, que são adicionadas a esses espaços muitas vezes sem saber que estão fornecendo apoio numérico...ainda que nunca tenham tido nenhum tipo de contato com essas pessoas. Grupos de 10 mil membros em geral possuem uma rotatividade de menos de 1%.
Por esse motivo a eficácia do controle das ideias e imposição politico-partidária dentro desses grupos maliciosos ainda é uma incógnita.
A escravidão da informação ou a manipulação das ideias é um risco que a sociedade deve avaliar e combater. Grupos violentos ou que propositalmente deformam a informação abalam e comprometem a liberdade de expressão. É uma contradição que espaços livres se transformem em  espaços escravizados e controlados pelos "donos" ou fundadores de grupos. Mas esse parece ser o desafio da "nova liberdade" obtida no campo virtual, onde a ética apenas funciona quando defendida pelos elementos que participam desses grupos.
Caso contrário, é um espaço tão primitivo quanto "as terras sem lei", onde vence quem tiver menos escrúpulos, soterrando a razão em estratégias que independem da quantidade de pessoas envolvidas. Ou seja, pequenos ditadores dominam um grupo ao cercar as razões éticas, anulando-as rapidamente, ao contrário do que ocorre fora do virtual, que demarca com clareza as responsabilidades e abusos regulados pela legislação comum.

MANIPULAÇÃO VIRTUAL

Enquanto a imprensa é criticada por seu comprometimento econômico e político, os espaços virtuais funcionam como uma espécie de espelho dessa realidade prática. A mesma imprensa livre ou comprometida também exerce o seu papel na internet. Paralelamente as conversas no trabalho, nas ruas e outros lugares que exigem contato pessoal são igualmente levadas ao espaço virtual, processando-se ali de maneira mais livre, pela impressão de anonimato.
Para as empresas e profissionais da imprensa há grandes controvérsias no espaço virtual. Ao mesmo tempo em que a Internet chegou ampliando as relações no mundo todo e tornando o trabalho da informação muito mais amplo, também provocou a evasão do leitor dos jornais.
Os riscos da informação distorcida ou manipulação da opinião aumentam no uso da internet. Mesmo que parte das empresas jornalísticas sejam comandadas por interesses financeiros - submetendo-se à pressão de aspectos comerciais e políticos - a ainda livre publicação virtual não impede o mesmo risco, misturando informação correta e positiva, com a informação maliciosa, principalmente no campo político.
Se a Internet oferece um campo vasto, a centralização de pessoas nos sites de relacionamento tornaram a exploração dos grupos um excelente negócio.
Falar em mídia digital é resumir as possibilidades de ação. A comunicação virtual permite roupagens tão variadas, que tentar defini-las na linguagem usual não define a sua dimensão.  (cont.) (Mirna Monteiro)

Monday, July 15, 2013

O HOMEM E O COMPASSO

Algumas datas parecem sem sentido. Dia do Homem é uma delas. Não que o homem não mereça ter um dia seu. Se as mulheres e as crianças tem, por que não os homens?
Bem, a justificativa da comemoração fala da equiparação entre homem e mulher, separados desde sempre pela ausência da identidade feminina, em relação à predominância da identidade masculina.
 É, considerando que nos primórdios a humanidade cultuava a Mãe-Terra e idolatrava o simbolo feminino da fecundidade, para depois ignorar por completo a identidade feminina, o que temos hoje é uma mudança e tanto. Depois de passar por um estado de nulidade social e politica, sendo reconhecida pelo nome do homem, que era perpetuado nas gerações masculinas, a coisa mudou para a mulher. E por tabela, para o homem. A revolução do século XX foi realmente uma virada e tanto, permitindo não apenas o voto feminino como o exercício do direito político, cultural e social pleno!
Perplexidade para a antiga figura masculina!
Situação complicada para o homem? Bem, para quem estava habituado a ver todos os desfechos no gênero masculino, o século das mudanças causou um grande impacto.
Ainda hoje o homem procura situar-se em um novo universo feminino, que parece predominar com a mesma medida que antes era ocupada pela cultura masculina. Não cultua a fertilidade, mas explode em clarões de rosa, em perfumes e máscaras de beleza, desfile nas passarelas, desempenho de tarefas domésticas e  divisão do espaço profissional, em uma mistura de hábitos e pensamentos onde as antigas diferenças tornam-se cada vez mais diluídas.
Mas homens e mulheres são diferentes, apesar do polimento de arestas superficiais do comportamento. Não na capacidade de realizar funções ou desenvolver frutos da inteligência, mas na maneira de se reconhecer e se auto-conduzir. Há quem assegure que é questão de tempo a fusão total entre o masculino e feminino, a ponto de tornar os gêneros idênticos. Essa possibilidade não agrada nem ao homem, nem à mulher.
Mas o que é que isso tem a ver com o Dia do Homem? Será que é uma oportunidade de ganhar gravata nova ou, talvez, sais de banho?
Talvez não exatamente. Por mais comercial que venha a se tornar (ainda é recente em pouco mais de uma década e comemorada no dia 15 de julho no Brasil), essa comemoração foi criada por homens. Só isso já a justifica. Por que não? Ainda que não exista uma revolução qualquer no mundo masculino e que venha a se chamar "Dia do Homem Livre", justifica-se pelo próprio conceito de igualdade com a mulher. Mulher tem dia, homem também.
Há quem reclame que Dia da Mulher e Dia do Homem promoveriam nova distinção, ao invés de ratificar a igualdade entre os sexos. É que as mulheres, em seu dia, comemoram conquistas, novas condições e desafios. E os homens comemorariam novos desafios.
É, sob esse ponto de vista, há mesmo o que comemorar. O desafio do masculino, em uma sociedade que se transformou com a plena ação feminina.
Viva o Dia do Homem. Do novo homem! (Mirna Monteiro)

Friday, July 05, 2013

A ARTE DE ACREDITAR...SEM ENGANAR-SE


Volta e meia aparece a dúvida: em quem acreditar? No que acreditar? A insegurança sobre a verdade não é característica de pessoas jovens, assim como a certeza não é privilégio de quem viveu muitas décadas.

Sob essa ótica (verdadeira?) estamos todos no mesmo barco, o da incerteza sobre as coisas eisso pode ser angustiante! Nietzsche, ele próprio exasperado com as próprias dúvidas em uma época onde tudo era contestado de maneira extremamente econômica, concluiu que a busca da verdade não passava de simples necessidade humana de se sentir em segurança.  Um mundo que "não se contradiz", seria um mundo mais confiável, com conceitos baseados na crença de valores imutáveis e, portanto, aceitos como verdade universal. 

Bem, de qualquer forma nós tem os nossas verdades universais. Por exemplo a igualdade entre os homens e o respeito à natureza. Naturalmente são verdades óbvias oriundas da necessidade de sobrevivência, entre outras que surgem da relação histórica do homem com o meio. 

O que sabemos é que o reconhecimento da verdade, ou de alguma realidade que possamos assumir como determinante, parte de nossa capacidade de sentir a vida. O conhecimento sobre si mesmo modifica o reconhecimento da verdade. E como acreditava Sócrates, só age erradamente aquele que desconhece a verdade e, por extensão, o bem. Nesse caso permanece boiando na incerteza, ou esperneando se assim lhe ditar o temperamento, mas em ambos os casos provocando desequilíbrio e caos ao meio. 
 Como mestre que pretendia ensinar a pensar, sem impor uma verdade do próprio punho...ou do próprio pensamento, Sócrates colocava a  busca do saber como o caminho para a perfeição humana e, por tabela, para obter a sensação de segurança que permite um enfrentamento mais tranquilo de nossas dúvidas a respeito do que seria a verdade e a mentira.
Bem, 400 anos antes de Cristo e já se sabia o que hoje ainda constatamos. Por mais que seja teorizado o assunto e por mais que os pensadores sejam rebuscados e retóricos, realistas, fatalistas ou neuróticos, a verdade é que o drama do "onde está a verdade", resume-se a esta simples lógica socrática: observe, pense, aprenda e deduza!

Se a verdade necessita de sabedoria para ser detectada, a mentira basta a si própria, infelizmente. A sorte da humanidade é que seu tempo de vida é curto. Por isso devemos considerar a sabedoria popular, quando diz que "toda mentira tem perna curta". Aliás todos temos sempre uma boa interpretação da mentira. Rápida como o bote de uma cobra (uma mentira dá a volta ao mundo antes mesmo de a verdade ter a oportunidade de se vestir, ironizou Churchill) ou vital para a sobrevivência de alguns (A mentira é muitas vezes tão involuntária quanto a respiração, observou acertadamente o escritor Machado de Assis) a mentira é o avesso do conhecimento sem deixar de ser ilustradora da verdade. Não ser descoberto em uma mentira equivale a dizer uma verdade...

É nessa relatividade que se apoiam os grandes mentirosos da humanidade, antigos e atuais. Hitler achava que para convencer a massa era preciso uma grande mentira, cercada de muita bagunça e atritos, pois assim o caos formado esconderia ainda mais a verdade. Tinha razão, sem dúvida! É óbvio que para se conseguir impor uma mentira há necessidade de se impor o caos e a insegurança...aquele estado citado por Nietzsche, onde as convicções podem ser mais perigosas para a verdade do que a própria afirmação mentirosa! 
Acreditar, portanto, parece ser a arte de desvendar o que se passa atrás das grandes afirmações, das grandes mentiras e das supostas verdades. Uma arte que começa com o conhecimento do temperamento humano que habita em todos nós e o reconhecimento de nossas fraquezas. (Mirna Monteiro)