Tuesday, May 31, 2011

A INTELIGÊNCIA E SUAS VARIAÇÕES



"(...) Um dos testes para a obtenção do emprego que eu queria era de QI (...) Mas achei absurdo(...) Testes de QI deveriam ser proibidos, você não acha?" 

Nesse caso é preciso saber os critérios da empresa na avaliação de seus candidatos. Mas medir a inteligência realmente é complicado. Será mesmo que podemos fazer isso através de algum sistema padrão? 
Que a inteligência pode ser "alimentada" e aumentada e que existe um conjunto de fatores que auxiliam seu desenvolvimento desde o berço, não há dúvida.
Mas quando se fala em testes e medição de QI (Quociente de Inteligência), há amplas discussões. Esses testes, fundamentados ou não, deixam para fora do mercado de trabalho muitos candidatos, além de colocar em dúvida a eficiência de crianças e jovens nas escolas que oferecem alguma oportunidade especial.
Quem não concorda com testes de QI argumenta que avaliações assim não podem ser uniformizadas ou feitas em grupo. Os pontos deveriam ser avaliados individualmente e de maneira rigorosa por um profissional especializado, atento à diferenças na manifestação de cada um de suas capacidades.
Quer outra constatação de falha? Muitas vezes uma pessoa que realiza o teste pode ter variações que vão além de 40 pontos em fases distintas de sua vida, para mais ou para menos!
Há muitos outros problemas citados, como a influência do meio cultural. Até mesmo uma educação comportamental pode ser confundida com inteligência.
De certa maneira testes de QI ajudam a ter uma idéia geral da capacidade da pessoa em lidar com desafios básicos profissionais.  Mas não pode ser considerado definitivo quanto à capacidade mental do indivíduo em inúmeros outros campos de ação e tipos de inteligência, como a emocional, considerada nos dias de hoje tão ou mais importante do que a inteligência prática.
O que se procura entender é o desenvolvimento do equilibrio entre os "tipos de inteligência". O que contradiz o conceito de genialidade, que na verdade limita a pessoa a uma poderosa característica de talento, em detrimento de outras capacitações ou do uso do cérebro de maneira mais ampla e diversificada. O gênio pode ser um talento inigualável na música ou na física, não possuindo entretanto ou necessariamente a inteligência emocional e a capacidade de interagir com a vida.
Cada vez mais o conceito da genialidade  se transforma e poderia ser interpretado como "a inteligência eclética", que não se resume ao armazenamento de informações, ou ao desempenho de um único talento em detrimento de outros igualmente importantes, mas a capacidades múltiplas, como aquela que permite desenvolver a informação além de seu mero armazenamento, por exemplo aliando memória, interpretação dos fatos e criatividade.
Fala-se muito em "ginástica cerebral!", que poderia auxiliar o processo de desenvolvimento de áreas potenciais do cérebro. No caso, não bastaria ler, mas aprender a concluir e a argumentar toda a informação processada. Não bastaria empenhar-se apenas nisso, mas praticar um esporte, lavar uma louça ou desenvolver algum artesanato ou arte, além de aprender a lidar com emoções e a solucionar conflitos, porque o fundamento do "exercício cerebral" exige funções variadas e, adivinhe, as mais prosaicas! 
Se assim é, um bom começo para exercitar a inteligência - e isso pode acontecer desde o berço -  é deixar o pensamento livre, cantar e inventar, ler e imaginar, permitindo que haja estímulo diferenciados e variados ao cérebro. (Mirna Monteiro)


Friday, May 27, 2011

FILOSOFIA EM TEMPOS DE APOCALIPSE

O que se ouve:
(...) Sinto a depressão e a tristeza nas pessoas, a vida parece sem sentido...
“(...)Não dá para viver assim (...) Não sou derrotista, mas está demais! Ninguém respeita ninguém, vivemos a era da cara de pau..."
 "(...)Quem desrespeita a lei sem preocupação de ser punido? É quem tem poder econômico e político, ou econômico e por isso político, como as grandes empresas, os bancos, até o quitandeiro da esquina, que riem-se da nossa justiça e colocam-se acima da lei . Quem vive desse jeito? (...)
"(...) Recentemente um grupo de alunos me desacatou na sala de aula e um deles chegou a me ameaçar caso eu "não fosse generosa” com as notas. Sou professora há 16 anos e fico horrorizada com a crescente falta de consideração entre as pessoas. Isso é uma espécie de terrorismo ideológico. Acho que aulas de filosofia e cidadania poderiam ajudar, percebemos que falta referência aos jovens (...)
“(...) Em minha família a farmácia virou rotina, a gente consome lá que nem (sic) se fosse supermercado, todo mundo sofre de depressão e hipertensão, tem armário cheio de medicamentos (...)

Quem já não ouviu sobre algumas dessas situações ou não viveu realidade semelhante? Essas frases são comuns a todo instante, nos mais variados lugares.
A sociedade vai mal?...vai mal, decerto.  Ao mesmo tempo em que avança de maneira surpreendente no desenvolvimento da tecnologia e da ciência, regride com a mesma força na qualidade da vida emocional dos indivíduos, o que afeta a relação na comunidade.
Talvez por esse motivo os livros de auto-ajuda tenham causado uma verdadeira explosão de vendas nas últimas décadas. Talvez por isso igrejas das mais diferentes e estranhas doutrinas movimentem bilhões de fiéis que despejam dinheiro também aos bilhões no mercado religioso.
Por esse motivo, falar em filosofia hoje tornou-se cada vez mais comum. "Sobra pragmatismo, falta filosofia!" dizem. O que se quer dizer com isso? Que a filosofia seria a panacéia para o males modernos que levam à histeria da massa e à desintegração dos principais pilares de uma sociedade organizada, tornando "demodè" o respeito à comunidade?
Há muitas perguntas. Introduzir filosofia e sociologia como matérias obrigatórias no currículo do ensino básico ou médio (Por que ensino médio apenas?) teria um resultado prático?
Quando se fala em sociologia e ou quaisquer "logia", vem a imagem de um sujeito retórico derramando sobre os alunos teorias e mais teorias. O que diremos da filosofia? As jovens crias da educação cibernética e do pragmatismo moderno terão paciência para entender princípios socráticos, pensamento de Platão ou Aristóteles, teorias de Kant e Hengel, aforismos de Nietzsche, ou o criticismo, spinozismo e outros "ismos"?

Se bem que filosofia também é humor, pois se a vida é tragicômica, as deduções sobre ela também são.
Como o relato a respeito da atitude de Sócrates, o mais popular dos filósofos, em sua vida conjugal. "Em certa ocasião, depois de havê-lo injuriado Xantipa, ela arrojou-lhe água ao rosto, ele lhe disse:
- Já o sabia eu, que tão grande tempestade não poderia passar sem chuva" (D. L., II, 36).
Filosofia, de fato, pode ser um estudo extremamente interessante. Ou maçante. Deveria ser matéria curricular, mas de que maneira isso será ministrado, considerando a rapidez do mundo atual? Até que ponto há professores preparados para discutir o ensino da filosofia de maneira que se enquadre no nosso tempo, fazendo renascer de maneira direta e produtiva a capacidade de pensamento, a observação da natureza e o respeito às coisas e seres, de maneira a resgatar a civilidade e os valores fundamentais para a convivência humana?
Ou, mais importante, de que maneira irá traduzir a linguagem de modo a torna-la assimilável para alunos de realidades diferentes.
Uma coisa é conhecer os principios da Filosofia e os estudos dos pensadores, outra é simplificar a comunicação da Filosofia sem distorcer seu sentido.
A Filosofia, na verdade, está presente em todos os campos do conhecimento humano. Ensinar filosofia, é ensinar a pensar!

O RISCO DA DOUTRINAÇÃO
Uma das maiores críticas em relação ao ensino de matérias não curriculares é a do risco da doutrinação. Política, por exemplo, é relacionada a antigos ensinamentos nos anos de ditadura militar, com a Educação Moral e Cívica, onde a criança aprendia valores comunitários, mas também assimilava a orientação política da época, que era baseada na censura e, portanto, na aceitação sem discussão das decisões econômicas, sociais ou educacionais.
No entanto hoje vivemos a liberdade de expressão e o ensino da política continua igualmente importante, mas muito mais complicado de processar-se imparcialmente. Deve mostrar ao cidadão a necessidade de participar das decisões e ações de seus representantes políticos, não se acomodar em mera situação  de leigo que sequer consegue estabelecer a escolha do seu voto de maneira realísta e sem influências do jogo do poder. A  liberdade também tem seu preço com o aumento da responsabilidade individual.
No caso da filosofia, o risco é o mesmo. Um professor despreparado pode confundir ou até mesmo impor determinados valores de interesses momentâneos, utilizando consciente ou inconscientemente de certo maniqueísmo e caindo no risco da doutrinação.
Se a filosofia realmente conseguir se encaixar nos currículos escolares, sempre estaremos enfrentado a duvida a respeito da maneira como será desempenhada na realidade da formação de nossos professores. Ainda que haja capacidade de desempenho e conhecimento suficiente para o repasse de noções de ética e moral em todos os ângulos do pensamento humano, haverá sempre a incontrolável mania de imposição de dogmas escorregando nas entrelinhas. A realidade mostra bem que no contato do professor com alunos ocorrem exageros nas impressões pessoais e ideologias, seja na aula de matemática, português ou, principalmente, história!
No entanto, o ensino da filosofia poderia minimizar o risco da doutrinação, pois um de seus princípios  é a necessidade do aluno conhecer diferentes posturas e opiniões e discutí-las, com a finalidade de criar um interpretação pessoal e por fim estabelecer a própria opinião, considerando o universo ao seu redor.
Talvez isso seja possível sem os artifícios da massificação da filosofia que encontramos nos próprios campos acadêmicos. Há muito mais a se pensar quando a cadeira é trocada pela pedra, onde se acomoda não apenas o corpo, mas também se aguça a percepção de que ali está uma peça original. Talvez a alternativa para o ensino da filosofia em nossas escolas seja o de simplesmente ensinar a pensar, discutir e criar capacidade crítica, como faziam os antigos pensadores que levavam em suas aulas apenas a disposição de usar sabedoria para conversas informais acerca da razão de ser. (Mirna Monteiro)

Thursday, May 26, 2011

A ARTE NAS MÃOS

Mãos não apenas de quem faz a arte, mas aquelas que são reproduzidas. As mãos sempre foram uma preocupação do artista porque dizem muito a respeito da personalidade, da vida e caráter da obra, representando uma importante ação na sua expressividade. 
Não é  sem motivo que os grandes pintores ao longo da história procuravam antes de mais nada dominar a expressão das mãos em seus retratos  ou esculturas.  E muitos conseguiram chegar a um resultado tão próximo da perfeição que se isolarmos as mãos do conjunto, ainda assim teremos a representação da obra. 
"Mão", de Picasso, encontrada entre 200 obras inéditas do pintor que foram
reveladas pelo francês Puerre Le Guennec, eletricista do artista.
Uma das mãos de Jesus, pintada por Caravaggio, que mostrava uma preocupação especial
com detalhes de suas obras. 
Também de Caravaggio, o momento em que Saulo tenta proteger os olhos da intensa
luminosidade divina
Michelângelo, na Capela Sistina, captando a ligação entre Deus e o homem
Também de Michelângelo uma das mãos de Davi, expressando força e confiabilidade


Detalhe da mão de "Habacuc", de Donatello


Estudo de Leonardo Da Vinci na busca da expressividade das mãos
O efeito obtido nas mãos da famosa obra Monalisa
Van Gogh buscava nos estudos a extrema diversidade das mãos e
de sua comunicação
Na obra "Homem Velho com a cabeça em suas mãos", Van Gogh  retrata o desalento
e a busca de consolo


O surrealismo de Salvador Dali, ressaltando a mão além do próprio homem, poderosa
para limitar ou ampliar 

Friday, May 20, 2011

SEM CONTROLE

Como na ficção, onde a sociedade futurista exibe um cenário catastrófico, as pessoas começam a "habituar-se" ao risco cotidiano. Aliás, ficção e realidade começam a mesclar-se de tal maneira que perde-se a origem de tamanha intimidade com a violência. Não se sabe se o hábito dela provém de tantos heróis e bandidos socando-se e metralhando-se nas telas do cinema e da TV, ou se as telas exibem apenas o cotidiano retratado.
Uma prova de que existe certa tolerância à violência imiscuindo-se em nosso inconsciente é a tendência da ficção em criar vilões simpáticos e merecedores de um final onde o crime não é necessariamente punido. Que tendência é essa a de realizar torcida - se bem que discreta- de encantadores bandidos que conseguem com inteligência e perícia burlar o sistema em roubos milionários?
Talvez seja exagero responsabilizar os vilões simpáticos - aqueles que parecem não ameaçar o indivíduo, mas o sistema tão criticado pelas suas próprias flacatruas capitais - pelo estado de disseminação e certa condescendência à violência. Uma criança que assiste aos filmes e desenhos onde se luta o tempo todo e onde os vilões das historias se tornam cada vez mais truculentos também poderá se transformar em alguém  que interpreta agressões e assassinatos como uma fatalidade ou uma circunstância natural do meio.
Ainda temos imagens da realidade cada vez mais sangrentas. Guerras não são registros do passado, mas ameaça presente. A repetição de erros históricos muda a interpretação da vida.
É preocupante. Nos habituamos a marcas de refrigerantes e a moda fast-food e o poder da imagem e o sugestionamento das ações certamente também muda a nossa interpretação do que seria abominável ou "natural" em uma sociedade tão contraditória. Pode ser que não se chegue ao extremo de fabricar agressores e transgressores em série, mas parece inevitável reconhecer que estimulamos quem já possui tendências agressivas para liberar seus "instintos bestiais".

Em um momento onde os mecanismos de defesa social andam em crise - cadê a Justiça e os recursos para controle dessa epidemia de violência? - a situação parece muito pouco confortável para o cidadão comum.
Um dia um grupo de rapazes munidos de soco-inglês e barra de ferro (o que demonstra a intenção prévia de algum massacre) aborda um casal na rua Augusta e agride o jovem, que é negro; em outro grupo resolve agredir homossexuais. O que está provocando o recrudescimento de grupos radicais e preconceituosos entre adolescentes e jovens que não vivem na pobreza, mas em situação relativamente confortável do ponto de vista de consumo.
O que levanta outra questão: o que leva pessoas de classe média (remediada ou alta)a ter uma carga de ódio tão grande a ponto de criar uma situação tão artificial de dor e sofrimento a outros? Que tipo de ideal desregrado leva à formação de grupos que pregam o odio racial e a discriminação a homossexuais, como o neo-nazismo, que por incrivel que pareça cresceu nos últimos anos no mundo todo?
Desajustes perigosos, que não podem ser menosprezados ou considerados transitórios. São um tipo de reação diferente de outras formas de violência,  igualmente chocantes, mas que são vistas como "preocupação menor": aquela que invade o trânsito e torna uma discussão besta palco de assassinatos. Ou as agressões dentro do próprio lar, a mulheres e crianças. Ou ainda a pedofilia, inexplicavelmente atuante, chocante e inaceitável.
Bem, em um mundo onde crianças são jogadas pela janela ou envoltas em sacos de lixo e jogadas em caçambas, como um brinquedo descartável, a dor e o sofrimento parecem inevitáveis para quem ainda mantém a sanidade, vivendo com suficiente bom senso e sensibilidade para respeitar a vida. É preciso valorizar o que resta de sanidade e criar mecanismos legais que punam com rigorosidade os bandidos que não são os marginais das ruas, mas os pseudos bons cidadãos do ambiente doméstico. Mães e pais que não respeitam a importância da vida de seus filhos e o direito da criança não podem ser simplesmente denunciados e dispensados, como se tivessem cometido uma má ação ao invés de um crime bárbaro, assim como integrantes de grupos radicais.
A única solução para coibir a escalada da violência social é a rigidez absoluta no tratamento desses casos, sem qualquer clemência a quem comete atos de covardia e violência extrema.

Tuesday, May 17, 2011

O MAL DISFARÇADO

Entre as distorções humanas, uma das mais graves e impressionantes é a pedofilia. A pergunta mais frequente é esta: o que leva um adulto a aproveitar-se da fragilidade de uma criança para cometer um abuso, com ou sem aparente violência?
A ciência tenta explicar essa ação, que afinal não é nova. Por toda a história da humanidade crianças foram vítimas de violência. Mas as regras morais criadas pela sociedade organizada permitiu uma teia protetora, que se não impedia ações criminosas contra a criança, pelo menos dificultava e tornava a prática menos comum.
Hoje, no século XXI, parece que retrocemos ao tempo dos bárbaros: os casos de agressões à criança, com ou sem violência sexual, aumentam. Os casos de psicopatia são mais diversificados também e podem incluir os casos em que mães que acabam de gerar tentam livrar-se de seus recém-nascidos de maneira chocante. No caso da agressão sexual chega-se a uma conclusão sobre as causas desse ato criminoso: todo pedófilo é um psicopata, embora nem sempre o psicopata seja um pedófilo!
Por que o pedófilo é um psicopata, em menor ou maior grau? Pela ausência de sentimentos. Uma pessoa que submete uma criança ao abuso sexual ou a outras formas de violência não consegue sentir o sofrimento infringido a ela. Caso contrário jamais faria isso, pois a natureza humana tem a tendência a proteger o semelhante indefeso. Omissão ou sadismo são situações deturpadas e indicam intolerância ou rejeição ao meio, entre outros problemas.
Nos últimos tempos a psicopatia tem sido a analisada de todas as formas. A falta de freio moral tornou a sociedade humana mais sujeita às distorções causadas pelos indivíduos com esse transtorno.

O psicopata é considerado um indivíduo altamente perigoso. De uma maneira geral entende-se que a caracte­rística essencial do psicopata é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos alheios, que inicia na infância ou começo da adolescên­cia e continua na idade adulta.
Também reconhece-se hoje graus variados de psicopatia, que vai de leve, a moderada e grave. Os serial-killers seriam a forma mais grave de psicopatia. O sujeito que não sente empatia por nada além dele, seja de outras pessoas ou mesmo animais, não mantendo qualquer forma de emoção na relação com o mundo, seria um psicopata menos drástico. Mas nem por isso pouco perigoso.
O diagnósti­co para esse transtorno, colocando de maneira simplificada, deve levar em consideração a existência de pelo menos três critérios que podem ser descritos como um fracasso em conformar-se com normas legais, uma propensão para enga­nar, impulsividade, agressividade, desrespeito pela segurança própria ou alheia, irresponsabi­lidade que pode estar vinculada ao trabalho ou às finanças, bem como uma ausência de remor­so.


Ausência de remorso! Impossibilidade de sentir a dor alheia! O psicopata nem sempre é um indivíduo excluído do meio, muito pelo contrário. Eles estão em todos os lugares, podendo pertencer ao submundo ou classes sociais sofisticadas.
Da mesma forma, são sensíveis a esse meio quando nascem e se desenvolvem. Segundo os estudos, que vem sendo realizados há séculos (o termo foi introduzido por Phillippe Pinel há cerca de 200 anos)entende-se que há fatores genéticos preponderantes, mas o meio também é responsável por acentuar ou suavizar essa predisposição.
Isso significa que mesmo com a predisposição genética, o indivíduo que conviver em um lar equilibrado e isento de violência terá menor gravidade nessa patologia, ficando mais apto a conviver socialmente dentro das regras. Esse mesmo indivíduo, se for criado em um lar desajustado e sofrer abusos e violência na infância, fatalmente será um psicopata de maior periculosidade.
Também existe entre os estudiosos um consenso em relação à incidência de indivíduos com essa patologia: cerca de 4% da população, dos quais 3% são homens e 1% mulheres.

Um aspecto interessante da psicopatia é lembrado pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu um livro sobre o assunto (Mentes Perigosas): "o poder destrutivo dos psicopatas.São manipuladores, perversos e desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento, são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses. Podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas em sua maioria não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloqüentes, ‘inteligentes’, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bons amantes, bons amigos. Visam apenas benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade".
Bastante complicado lidar com isso. Mesmo sendo um percentual pequeno na sociedade, não é tão difícil você ter um psicopata ao lado.


Psicopatas são "irracionais"? Não, de forma alguma, tanto que quando infringem leis morais e legais, como no caso da pedofilia, sabem que é um crime.
O psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, afirma que os psicopatas têm total ciência dos seus atos. "A parte cognitiva ou racional é perfeita, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e porque estão fazendo. O déficit deles está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha exercida de forma livre e sem qualquer culpa".
Talvez haja no futuro uma maneira de lidar com os indivíduos psicopatas, que causam tantos estragos à célula familiar e à sociedade como um todo, em maior ou menor grau. O que se sabe, hoje, é que pessoas com esse problema não se regeneram - ou seja, cedo ou tarde vão repetir a ação deletória ou criminosa se tiverem oportunidade para isso.(Mirna Monteiro)

Tuesday, May 10, 2011

FRAGILIDADE DA LEI E DEPRESSÃO

Qual seria a relação entre uma sociedade que perde valores básicos e menospreza regras de cidadania, com a depressão do indivíduo?
Não existe um levantamento claro e científico que detalhe uma resposta a essa dúvida. Mas é inegavel a relação entre aumento de doenças fisicas e mentais e a perda de controle da criminalidade, da corrupção e do abuso ao indivíduo nos mais variados campos do consumo.
Podemos ter a depressão, isolada e pessoal, causada por problemas de desequilíbrio bioquímico ou outras causas individuais. Mas a grande incidência da doença demonstra que vivemos o risco da depressão surgida da sensação de impotência e abandono, em  um sistema que despreza valores básicos da sobrevivência e proteção do indivíduo, tristemente escancarada na fragilidade do sistema judiciário.  O resultado é medo e muita ansiedade pelo futuro. O coletivo experimenta uma crescente histeria, onde persiste a insegurança da sobrevivência.
Há exemplos de sobra desse processo de histeria coletiva, onde há perda do controle social. O respeito às leis de trânsito é um deles. Além dos abusos incentivados pela impunidade, há o outro lado da questão: como obedecer ao semáforo que manda esperar, diante da possibilidade de um assalto? Como evitar cobrir os vidros do veículo com filme plástico, que oferece a sensação de proteção à possíveis agressores?
O mesmo filme plástico escuro que impede a visão do interior dos veículos pelo bandido, também atrapalha a visão de policiais que buscam suspeitos. O mesmo recurso que protege de um lado, aumenta o risco de outro! Essa contradição confunde a razão e aumenta a sensação de insegurança.

Não faltam situações dramáticas para a tranquilidade, mesmo em situações aparentemente de menor importância. Filas em bancos que nunca respeitam o direito do atendimento em tempo médio causam desânimo. Longa espera para atendimento em hospitais públicos  causam óbitos que poderiam ser evitados e isso causa desespero. O desapontamento em não obter  consultas imediatas, para quem paga altas somas de convênios médicos torna empresas de saúde vilãs autorizadas.
Há uma infinidade de frustações e motivos de desalento. Filas para atendimento das reclamações em orgãos de defesa do consumidor, como procons, onde o cidadão já chega revoltado e acaba saindo sem resultados, torna as instituições desacreditadas.
Como suportar a sequência de agressões e desrespeito sem alterar-se? As reclamações mostram-se ineficientes, pois não se consegue registrar queixas contra alguns setores. O que se passa com uma pessoa que se sente desestimulada para ir adiante em processos judiciais que a ajudariam a recuperar a confiança e a auto-estima? Como deve reagir um cidadão que recebe a orientação para "deixar para lá" as ilegalidades sofridas? "Não há mais em quem confiar!" é uma frase comum nas filas de unidades do Procon ou no atendimento do INSS ou do Tribunal Federal onde se aguarda um processo de aposentadoria. Uma senhora chora ao ver pela terceira vez sua denúncia ser dispensada. "Para onde eu vou, onde existe justiça?" pergunta ela.

Desesperança e desconfiança até mesmo nos organismos criados para defender quem sempre sai perdendo. Nos tribunais, com exceções cada vez mais raras, longos processos terminam com sentenças absurdas que não são aceitas pelo consumidor. Processos são extremamente demorados e acontece cada vez mais a ridícula e triste situação de um processo ser finalizado depois da morte do cidadão que esperou anos a fio pela resposta  Justiça.
Cai a confiança no sistema.
Percebendo-se sem alternativa, o indivíduo se torna agressivo, descrente e acaba se voltando contra o próprio meio. Fica portanto sem saida!
A quem interessa esse estado de coisas? Com uma mentalidade voltada para o supérfluo e imediato, o sistema de consumo exagera e sacrifica a própria fonte de seus recursos, desgastando o indivíduo, que se sente cada vez mais oprimido.
O resultado está nas estatísticas oficiais: cada vez mais as clínicas e consultórios psiquiátricos ficam lotados. Torna-se evidente o aumento de doenças físicas e mentais,. A incidência é tamanha que se torna difícil sua absorção pelo sistema de saúde, criando um circulo vicioso onde a demanda do atendimento é sempre crescente. A indústria de medicamentos floresce e consegue lucros cada vez maiores, com uma produção impressionante de drogas anti-depressivas, anti-hipertensivos, analgésicos e relaxantes musculares! 
Nunca antes as pessoas dependeram tanto de atendimento médico. Nunca antes  a vida esteve tão ameaçada. Vivenciamos uma sociedade que se encontra em estado de alerta máximo, demonstrando cada vez menos credibilidade em si própria, enquanto se programa de maneira distorcida. 
A origem, sem dúvida, é a fragilidade de nossa Justiça. Uma sociedade onde a Justiça não funciona ou funciona parcialmente, gera insegurança profunda e descrédito, que leva à  um estado coletivo depressivo não apenas àqueles que são vítimas da ausência clara da aplicação da lei. Todo o conjunto social sofre com a ausência de punição à corrupção e à prevaricação, que  acaba tornando-se perigosamente rotineira no comércio, na educação privada, nos serviços em geral, enfim, na vida do indivíduo. 
O unico remédio para a depressão crescente que se torna um desvario coletivo é o respeito às instituições, o retorno de valores e a clareza da aplicação da lei, que precisa ser resgatada. Caso contrário qualquer ação isolada terá o poder limitado, apenas como um paliativo de uma grave situação social. (Mirna Monteiro)

LEIA TAMBÉM   http://artemirna.blogspot.com.br/2011/04/fazer-justica.html

                             http://artemirna.blogspot.com.br/2010/10/justica-primitiva.html

                             http://artemirna.blogspot.com.br/2011/09/pequenos-e-grandes-pecados.html

Friday, May 06, 2011

MÃES DIFERENTES

Durante toda a história, mãe não era simplesmente um indivíduo, mas uma potência natural. Geradora da humanidade, altruísta, defendendo a sua prole a todo custo, como uma leoa. Disposta a abrir mão de todo o conforto e até do próprio alimento para proteger um filho. Não é a toa que povos primitivos adoravam a figura feminina, a deusa-mãe, que garantia o alimento dos povos germinando a terra.
Como não havia propaganda ou influências poderosas da mídia  nos tempos primitivos, podemos supor que essa é a natureza feminina. Geradora, protetora, pacifista, tranquilizadora.
Mesmo com o desenvolvimento da sociedade humana e o advento de maior poder mecânico e das artimanhas políticas na luta acirrada pela sobrevivência, a mãe protetora persistia. Ela criava os seres para o mundo. Dela dependia basicamente estimular os bons instintos e o caráter nos filhos que seriam pacíficos, guerreiros ou reis...ou déspotas e violentos.
Bom, aqui vamos fazer uma pausa. Falando assim temos a impressão de que a mulher é a responsável por todos os rebentos que viraram heróis ou vilões e transformaram o mundo. É um peso de responsabilidade injusto! Quer dizer que tudo é culpa da mãe? Se os filhos são pessoas de caráter e hombridade, é uma façanha da mãe! Se os filhos são cruéis e canalhas, é culpa da mãe?
Já sabemos que popularmente quando se pretende ofender alguém, ofende-se a genitora...ah, a mãe! Pior é que tem um fundo de verdade nisso tudo.
Quem nasce precisa do ventre e esse ventre precisa ser amigo, gentil, consciente da importância do ser. Um bebê humano é completamente vulnerável, o mais dependente de todos os animais. Precisa do alimento materno - o leite do peito - para se fortalecer e receber os anticorpos, depois, mesmo com os dentes e as pernas firmes, precisa de cuidados para alimentar-se, limpar-se, aprender a lidar com a vida complexa da sociedade humana. São tarefas preciosas, que realmente vão determinar quem e como vai ser esse futuro adulto e de que maneira ele vai interagir com o meio.
É muita responsabilidade, um filho! Quem vai fazer isso por ele? Nos velhos tempos diríamos sem hesitar: a mãe! Ela é preparada para lidar com isso, já veio equipada com útero e mamas, a natureza já deixou bem claro que quem tem responsabilidade de gerar e cuidar desse filho nos primeiros anos é a mulher.
E nos novos tempos?
Aí chegamos ao ponto que provoca discussões e alimenta polêmicas. A mulher, hoje, não é criada para ser a geradora da humanidade, mas para viver como ser individual. Ela se prepara para entender o mundo, para competir no mercado de trabalho, para se auto-prover e pensar livremente. Igualzinho ao homem, que sempre teve esse papel.
Tudo bem. Cadê a mãe? A sociedade mudou, a mulher mudou, o homem se manteve...e como fica? Quem é que vai assumir aquele papel que equilibrava a humanidade, o bem e o mal, o construtor e o destruidor, o amor e o desleixo do sentimento, o respeito e a discórdia?
Problemão! Estamos em um dilema crucial! Desse jeito a humanidade vai perder o ponto de equilibrio, já que nada, sistema nenhum, por mais sofisticado e cheio de coloridos artificiais que seja, pode substituir a relação direta entre os seres humanos que geraram e o seu o bebê.

O que observamos é um contingente masculino crescente de homens que assumem o papel que antes era exclusivo das mulheres. Elas continuam gerando, mas não tem mais paciência ou condições financeiras de amamentar o bebê, mesmo que seja por poucos meses. O homem não tem mamas ou leite do peito, mas assume com coragem as mamadeiras, assim como assume um papel cada vez mais poderoso de orientação e educação de sua prole. Esses homens que tem coragem de vivenciar esse papel em  geral desenvolvem  características de proteção e equilíbrio que antes pareciam exclusivos da mulher/mãe!
Mas tempos um problema: esses homens que evoluiram em todos os aspectos ainda são minoria. A maioria ainda tem dificuldades de lidar com as necessidades de seus rebentos. E as mulheres cada vez mais deixam de assumir esse papel.
Então sobram desajustes. Bebês são suprimidos de um alimento essencial (nada substitui o leite materno, inclusive para o desenvolvimento da inteligência e equilibrio emocional do indivíduo) e desde muito cedo são criados por terceiros - babás e escolas - ou ficam abandonados em casa.
Se considerarmos essa situação crescente, as mães vão muito mal. Porque não importa se é preciso trabalhar ou se não existe paciência para amamentar (e quem não quer amamentar realmente acaba sem leite) e consciência para orientar, educar, alimentar e amar os filhos ao longo da infância e adolescência. O que se pergunta é como ser mãe, pai e como ser família sem transformar-se em vítima de um sistema implacável e artificial, que afasta os seres, destruindo relações e criando desequilíbrio.
O problema não é ser uma mãe diferente. É ser mãe consciente. Nesse caso poderíamos festejar o dia das mães além de seu objetivo comercial...(Mirna Monteiro)

Wednesday, May 04, 2011

ART NOUVEAU, A ARTE EM MOVIMENTO



Art Nouveau é  diferente, exuberante, cheia de detalhes. Talvez por isso tenha sido interpretada na Europa de diferentes maneiras, como um "estilo macarrônico" na França e "estilo golpe de chicote" na Bélgica. Talvez a melhor definição para a art nouveau tenha sido na da Itália, onde era interpretada como "estilo livre".
Livre e com a intenção de modernizar as formas tradicionais da arquitetura e design em geral, em movimento que atingiu as artes plásticas e marcou a expressão não apenas nas telas de pintores, mas principalmente nos desenhos e gravuras do começo do século XX.
Foi essa a época em que a sociedade transformava-se em função da indústria e novos materiais eram criados. A litografia colorida foi um deles, em técnica que marcou essa fase. A moda era minuciosa e colorida, fosse em detalhes arquitetônicos, decoração, design de jóias, vestimenta, gravuras ou litografias.





Desde que houvesse estética, a art nouveau permitia-se
a criações sem preocupação com a a rigidez das formas
e sua simetria, como uma escada que ondulava no
ambiente, brincando com a percepção e a sensiblidade
visual. Antecedeu a art deco, que tornou as formas mais rígidas, retas ou circulares estilizadas, de design abstrato.


Vitrais alegres: o ar de romantismo ficou mais evidente do que nunca




Móveis com formas arredondadas, criando composições inusitadas



Arquitetura rica, detalhista, com elementos inesperados,
mas também com inspiração rococó

Monday, May 02, 2011

QUEM QUER GUERRA?


Foi em uma festa de aniversário. O grupo de crianças não tinha mais do que nove anos em média e inadvertidamente algumas chegaram até os pais, que discutiam sobre a situação do oriente Médio e os  ataques de Israel na Faixa de Gaza, o atentado às torres gêmeas americanas, a destruição do Iraque e a caçada a fundamentalistas....todos animados, à beira da piscina.
Em um momento de silêncio, uma daquelas pausas que antecedem observações, ouviu-se um voz infantil e meio esganiçada se intrometer: "Ué, mas quem quer guerra?"
Pergunta óbvia e simples, mas naquele momento ninguém respondeu a ela. Os pequenos tem a péssima mania de meter o bedelho em conversas de adultos. Adultos nem sempre tem respostas. As crianças logo se desinteressaram e sairam para brincar, mas deixaram no ar um certo desconforto. Quem quer guerra? Ora...
A quem interessa uma guerra? Interessa a quem pretende pilhar ou apropriar-se de alguma coisa na marra! No entanto não é nada interessante, apenas inevitável, para quem precisa defender o seu espaço. Assim são as guerras, conflitos de interesse. Obviamente, ninguém aceita a usurpação passivamente. Já era assim nos tempos de nossos antepassados primitivos, que viviam do instinto básico.
Mas em uma civilização que se considera evoluída, capacitada para interferir na ordem natural, pretensa estudiosa dos mistérios do universo, fabulosa na criação de tecnologias e pronta para revolucionar conceitos da física?...ou é mera fachada que impede o reconhecimento de que ainda somos basicamente instinto animal?

É difícil reconhecer que a bela aparência da  sociedade humana pode esconder um interior bolorento. E uma certa falta de inteligência, o que conflita com a idéia da genialidade humana.
Estamos todos cansados de saber que qualquer ação resulta em um efeito! Não há ação sem reação no universo. O que não sabemos é até que ponto há areia em nossos olhos, confundindo nossa visão. 
Vamos analisar o óbvio, como se todos fossemos crianças, que analisam a vida com a lógica da ingenuidade...ou nem tanto. Suponhamos uma  ação que visa um propósito particular em um ambiente coletivo...não vai dar certo. Ou um propósito político em um ambiente de outra soberania...não, certamente não é possível um resultado positivo de uma ação tão antiética.
Nos tempos primitivos e ao longo da história da humanidade, poder era sobrevivência.  Poucos possuíam o poder absoluto e todos eles sobreviveram muito pouco. Não há muitos registros de déspotas longevos.  Calígula, o imperador psicopata, viveu apenas 29 anos, causou enormes estragos, espirrou sangue para todos os lado, mas durou poucos anos no poder. 
Hoje a durabilidade de erros que destroem pode ser imensa. Porque se não temos o imperialismo de sangue azul, temos os interesses econômicos que contam com aliados extraordinários, como a parafernália de armamentos sofisticados e técnicas de abdução terrestre, aqui da casa mesmo, que deixariam qualquer extraterrestre boquiaberto!

Não somos animais predadores, somos civilizados. Nos tempos primitivos a idéia de sobrevivência era a de conquistar terras e escravizar os povos. A dos tempos modernos é a de amealhar dividendos e escravizar os povos (ainda?) economicamente...só que, embora o homem moderno seja muito semelhante ao homem primitivo, o cenário mudou!
E mudou muito mesmo. O ser humano permanece com todos os seus erros e dúvidas, o seu egocentrismo primitivo e a incapacidade de se auto-conhecer, mas o planeta, ah!...O planeta já não é o mesmo!
Não falamos apenas de tecnologia, mas de capacidade física da terra em suportar a burrice e o primitivismo humano. A violência contra a natureza é hoje uma perigosa maneira de "cutucar a onça com a vara curta"...E contra a natureza, o homem e sua parafernália nada pode. Somos um grão de areia no universo.
Por esse motivo é possível entender a pergunta da criança, que soou mais como uma crítica. "Mas quem quer guerra?". Crianças, como enchem o saco! Ficam fazendo perguntas que os homens mais poderosos do mundo, adultos que recebem autorização dos seus povos para tomar decisões diplomáticas e conduzir a política mundial, não sabem responder direito.
Crianças percebem a enrolação. Adultos se habituam a ela e perdem a memória a respeito.

Sabe-se lá onde vamos parar. Mas a verdade é que o mundo não é quadrado, nem tampouco um lugar que acaba no horizonte. Explicamos com propriedade científica que a  Lua ou o Sol não podem cair aqui dentro, mas não conseguimos explicar que podemos literalmente acabar em um buraco negro.
Plantar desavenças e promover discórdia, provocando guerras e violência...e cavando o próprio buraco.
É, nossa lógica civilizada anda míope.
Estamos longe dos tempos das espadas e do corpo a corpo. Hoje a guerra é desigual e destrutiva além das fronteiras. Uma guerra, mesmo distante e circunscrita, é um crime contra toda a humanidade! Abre prerrogativas para novos focos de violência e novas guerras, jogando por terra a única conquista do homem civilizado, a ética. Sem isso vamos para o tal buraco negro. 
Quem quer violência e destruição, fome e tragédias dentro de sua terra ou de outros povos? Quem é que quer guerra? (Mirna Monteiro)