Wednesday, January 26, 2011

O RETRATO




(...) - Sei que rirás de mim, mas eu na verdade não posso exibir este retrato. Há muito de mim nele.

- Muito de ti nele? Dou-te minha palavra, Basil, que ignorava tamanha vaidade em ti. E aliás eu não consigo ver nenhuma semelhança entre tu, com essa cara rugosa e enérgica e teu cabelo preto como carvão, e este jovem Adônis, que parece feito de marfim e pétalas...Mas ele é um Narciso, meu querido Basil e tu...bem, não há dúvida de que tens uma expressão intelectual. Mas a beleza, a verdadeira beleza, termina onde começa uma expressão intelectual. O intelecto é em si um verdadeiro exagêro e isso destrói a harmonia de um rosto. No momento em que nos pomos a pensar, ficamos puro nariz, ou pura testa ou qualquer outra coisa igualmente horrível (...)

Olha para os homens que triunfam nas profissões liberais. Como são perfeitamente medonhos! Exceto, naturalmente, na igreja. Mas é que na igreja eles não pensam. Um bispo continua repetindo por oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito, e a conseqüência natural é ele ter sempre uma expressão absolutamente deliciosa. Teu misterioso amigo, cujo nome nunca me dissestes, mas cujo retrato verdadeiramente me fascina, não pensa jamais. Estou bem certo disso. É uma criatura formosa, sem cérebro, que deveria estar sempre aqui no inverno, quando não temos mais flores para olhar, e nunca sair daqui no verão, quando precisamos de algo para refrescar a inteligência. (...)

-Não me compreendes, Harry, está claro que não pareço com ele. Sei disso perfeitamente. Em verdade eu me afligiria se assim fosse. Dás de ombros? Pois estou a dizer-te a verdade. Há algo de fatal em toda superioridade física ou intelectual, a espécie de fatalidade que parece perseguir como um cão, através da história, os passos vacilantes dos reis. É melhor não diferir de nossos semelhantes. Aos feios e aos estúpidos é que este mundo aproveita. Eles podem sentar-se comodamente e boquiabrir-se ao espetáculo. Se nada sabem da vitória, ao menos se livram de se conhecer a derrota. Vivem como todos deveríamos viver, impassíveis, indiferentes e sem inquietações (...)  ( O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde)

Tuesday, January 25, 2011

MANIPULAÇÃO E PODER EM NOVO TEMPO


Na mitologia os deuses tinham um péssimo defeito: adoravam manipular os pobres mortais. Lá de cima do Olimpo, entre brancas nuvens e regados a nectar e ambrosia,  combatiam  o tédio inventando desafios ou mesmo benécias para alterar o destino da humanidade.
Bons ou malvados, os deuses gregos e romanos representavam qualidades e defeitos humanos. Os humanos, por outro lado, espelhavam-se nos deuses que adotavam como regentes de sua vida, fazendo orações, sacrifícios e erguendo monumentos para agrada-los e receber sua proteção! Portanto, concluímos que se os deuses manipulavam os homens, aterrorizando-os com seu poder, os homens manipulavam os deuses, tocando-os em sua vaidade e seus humores...
A sociedade humana baseia a sua sobrevivência no poder da manipulação, que assim como o bem e o mal, também tem duas faces. Um bebê depende de cuidados para sobreviver e utiliza o choro para se comunicar, mas a natureza dotou suas cordas vocais de uma sonoridade que chama a atenção para suas necessidades. Não fosse assim e teríamos sérios problemas. O ser humano é o único animal totalmente dependente de cuidados em seus primeiros anos de vida.

Se alguém aqui disser que nunca manipulou ou tentou manipular alguém ou determinada circunstância, estará certamente mentindo ou é extremamente desatento. Manipulamos sim, a todo instante, quando interferidos de maneira indireta na vida da família, dos amigos, do chefe no trabalho ou dos empregados.
Portanto a questão principal não é se somos ou não manipulados ou até que ponto obtemos sucesso com tentativas de manipulação, mas sim até que ponto somos manipulados ou manipulamos alguém! Ou a partir de quando a manipulação pode ser considerada um ato desonesto, degradante ou ainda criminoso!
Sempre houve, ao longo da história, uma preocupação crescente com a manipulação. E uma listagem enorme de crimes com esse objetivo. Por exemplo, a Biblia, que mantém em suas página o aviso de que modificações de seus escritos seria hedionda. No entanto como é que escritos tão antigos, que passaram por tantas mãos e imposições de poder político poderiam permanecer inalterados? A manipulação de seu conteúdo, com adições e subtrações de textos de várias épocas, mostra a complexidade da informação a contradição de algumas afirmações.
Mas se a Bíblia serviu ao bem e ao mal, como nos tempos negros da Inquisição, governos autoritários destruíram livros com informações preciosas com o objetivo de manter o povo na ignorância. Quanto menor a informação, maior a facilidade de manipulação. Nos tempos de hoje a informação ganhou uma dimensão inusitada, em um ambiente disseminador democrático como a internet, mas trouxe outro grande problema: qual informação procede e qual é a manipuladora?
O sujeito manipulado não tem consciência desse poder sobre sua mente, seus hábitos, seus pensamentos...Em contrapartida à maior informação, as técnicas para dominar tornaram-se aprimoradas. Uma das maneiras de manipulação envolve o inconsciente, com mensagens visuais e sonoras subliminares, que não são óbvias, mas lá estão em frações  e velocidade imperceptíveis aos olhos, captadas pelo nosso cérebro  e que permanecem no inconsciente humano tão poderosas como o grilo falante na cabeça de Pinóquio.

A investida naturalmente visa a massa, ou o coletivo, o mais poderoso "ser". Carl Jung defendia que o inconsciente coletivo - que seria transmitido as gerações posteriores, em uma herança natural,  não deriva de experiências individuais, como o inconsciente individual, trabalhado por Freud, ainda que precise de experiências reais para se manifestar. Traços funcionais do inconsciente coletivo, os arquétipos, não seriam observáveis entre si, mas apenas através das imagens que eles proporcionam.
Erich Fromm observou outro aspecto, o "inconsciente social", que seria a experiência humana tornada inacessível pela sociedade repressiva. Assim a humanidade é presa fácil da repressão do meio cultural, aliada do novo poder de influência sobre o indivíduo na vivência dessa cultura, através de mensagens subliminares em textos, filmes, video-game e todo e qualquer recurso visual e sonoro!
Talvez não seja possível avaliar até que ponto somos influenciados e manipulados. O que seria a experiência herdada, ou nossa capacidade de distinguir a razão ou ainda qual seria realmente a nossa opinião, pessoal, individual  e  original, sobre os fatos e ações de nossas vida?
Pergunta difícil de ser respondida...  (Mirna Monteiro)

LEIA TAMBÉM:

http://artemirna.blogspot.com/2010/10/arte-de-acreditarsem-enganar-se.html

http://artemirna.blogspot.com/2006/09/hipocrisia-do-poder.html

http://artemirna.blogspot.com/2010/10/arte-da-manipulacao.html

Thursday, January 13, 2011

PREVISÕES E PROFECIAS

Quando ouvia dissertações sobre previsões e profecias em uma palestra, o sujeito na platéia adiantou-se e opinou: "Não há fundamento! Quando se acerta alguma coisa é coincidência e quando não se acerta está claro que não passa de pura imaginação humana, de ficção"! A sua frente a pessoa sorriu e pediu que um outro ouvinte abrisse um bilhete que havia recebido na entrada: "O que está escrito a respeito? " . "Que alguém sentado na terceira fileira discordaria e iria se manifestar contra a idéia de prever qualquer coisa"!

Bem, previsão comprovada...Quando negamos a possibilidade de prever os acontecimentos, negamos a nossa capacidade de observar, sentir e projetar a mente. O sábio Confúcio já sabia que não se pode viver como um mero expectador da vida, esquecendo-se de que toda a ação e pensamento determinam aquilo que a humanidade será. "Aquele que não prevê acontecimentos longínquos, expõe-se a desgraças próximas".
É verdade que prever os fatos é diferente de profetizar, mas apenas sob um ponto de vista relativo. Uma previsão baseia-se na observação do passado e do presente e uma profecia tem como mediador a visão do futuro, sem preocupar-se em estabelecer a lógica dos acontecimentos que formarão uma nova realidade.
A idéia que se tem de profecia lembra um ambiente místico, onde seres que se isolam das tentações terrenas mantém a mente livre para captar imagens do futuro através de uma sintonia que vence as barreiras do tempo. Durante toda a história da humanidade e em culturas diferentes, a profecia sempre manteve um lugar de honra, fosse na forma do Oráculo de Delphos, do feiticeiro reverenciado pela tribo, das sacerdotisas ou de sociedades místicas.
No entanto prever o futuro é uma questão de lógica, conforme a própria ciência descobriu. Nos velhos tempos os pajés tentavam descobrir quando iria chover. Nos nossos tempos equipamentos mostram claramente os mistérios da metereologia.  Oráculos tentavam desvendar os movimentos sísmicos, que hoje são claros para a geologia, que assim como a astronomia consegue prever desastres naturais da terra ou do sistema solar.
Mas será que tudo é assim mesmo, tão simples? Poderíamos através da lógica, da lei de ação e reação, dos conhecimentos da física, prever acontecimentos e evitar as desgraças e o sofrimento decorrente delas? Poderíamos evitar um divórcio em família, um assassinato passional, um acidente de trânsito ou o desmoronamento de uma encosta?
Até certo ponto, certamente teríamos de admitir essa possibilidade. Se sabemos que andar nas ruas em determinados horários pode colocar em risco nossa integridade física, assim como dirigir em estradas em alta velocidade é sinal de acidente iminente, por que isso acontece ordinariamente?

Podemos alegar que é uma questão de circunstâncias alheias a vontade. Por exemplo, enfrentar o trânsito em alta velocidade é contingência da sobrevivência...enquanto que morar em encostas é unica alternativa para um teto, apesar de que as encostas também foram desmatadas para a construção de mansões...e assim por diante! O ser humano parece viver de justificativas e argumentos de sobrevivência que contrariam a própria auto-preservação.
Nostradamus, médico e alquimista conhecido pelas suas profecias, inclusive a do fim do mundo (se é que interpretamos suas quadras com alguma precisão), teria pressentido a morte do rei Henrique II, nos contatos com a rainha Catarina de Médicis, e avisado que o Rei não deveria participar de qualquer torneio até os 41 anos. E Henrique morreu exatamente aos 41 anos vítima de uma lança que atravessou a armadura, atingindo um dos olhos, em um amigável torneio!
Parece que seja em tempos ainda obscuros, seja em plena era da ciência, a questão não é exatamente a falta de previsão, mas a vocação humana para o imediatismo e para o desafio...além do desleixo com a vida. Em tempos de grandes desafios, negar a necessidade de prever os acontecimentos é o mesmo que entregar-se aos riscos. É uma forma de descuido. Mesmo considerando a força do inevitável - acontecimentos que mesmo sendo previstos e cuidadosamente evitados ainda assim ocorrem por força de circunstâncias que independem da vontade humana - a atenção ao meio e à sequência natural dos fatos precisa ser conscientizada, com a mesma convicção com que se escova os dentes para combater as cáries ou se toma água para evitar a desidratação.

Devemos crer nas previsões e profecias? Sem dúvida!...(Mirna Monteiro)

Tuesday, January 11, 2011

ETERNOS DESEJOS


Desejos sem fim e uma permanente sensação de insatisfação! Assim caminha a humanidade, independente de onde vive ou sob qual cultura subsiste.  Descobrir o que se persegue para anular o sentimento de perda (aparentemente a cada espaço de tempo percebido parece que algo foi perdido) parece tarefa impossível. Percorre-se grandes distâncias nessa confusão. Amealhar fortunas a todo custo...ou ir em busca de doutrinas religiosas, filosofia, espaços alternativos...o que pode equilibrar aquilo que parece ser inerente a vida humana?

Em  "Escada do Desejo", Leloup lembra a relação humana com o desejo e o medo. "Não há medo sem um desejo escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. Estão ligados. Temos medo do que desejamos e desejamos o que temos medo". Essa relação contritante resulta em patologias, doenças da alma e do corpo.

Freud acreditava  que amor e morte, impulso de vida e impulso de morte, integra o desafio humano. Seria o jogo de Eros e Tanato, que torna o homem ansioso pelo desejo de viver ou pela sensação de plenitude, e o medo da destruição ou da morte.

Será tão irremediável essa sensação? Se o ser humano é bastante velho para morrer assim que nasce, vida e morte são uma mesma realidade. O escritor Scott Fritzgerald tentou traduzir essa sensação de vazio humano, diante da eterna insatisfação e do medo, na história de Benjamin Button, invertendo a natureza a partir do nascimento. Se nascemos jovens e caminhamos para a morte justamente quando se atinge maior compreensão da vida e capacidade de sentir a plenitude, como seria se nascemos velhos e o amadurecimento significasse o rejuvenescer?

Aparentemente Fritzgerald não chegou a ponto algum. Inverter a ordem - nascer velho e rejuvenescer ao longo dos anos, tornando-se cada vez mais jovem e experiente - mostrou ser uma solução fugaz para o medo do fim. Sim, porque mesmo o rejuvenescimento teria de ter um final, como tudo neste mundo de constante mutação física! A morte, portanto, não podia ser evitada, pois o desfecho seria a regressão ao útero e a eternidade.

A juventude, portanto, é apenas uma ilusão do desejo de fugir da sensação de perda constante. Na verdade o que tememos é a constante mutação do universo, sempre em movimento, onde nenhum elemento é perdido, mas transformado. O egocentrismo humano é o pior inimigo, pois é dele que provém a sensação de nulidade e impotência diante do universo.

"A morte é parte natural da vida. Podemos escolher entre ignorar! Ou então olhar de frente para a perspectiva de nossa própria morte e, assim pensando claramente nela, minimizar o sofrimento que traz. Entretanto em nenhum desses casos podemos de fato vence-la", lembra o Dalai Lama. O budismo vê a morte como um processo normal. "A morte é como a troca de roupa, uma roupa que envelheceu e já não serve, e não o fim absoluto".

Mas, afirma o Dalai Lama, a própria imprevisibilidade da morte indica que, se cá estamos, devemos cuidar da vida e manter todas as precauções para seu equilíbrio. Talvez o segredo da plenitude esteja justamente na capacidade de entender que o desejar que tanto frustra o ser humano - pois não tem  limite até a morte- não têm fundamento e é incompatível com a plenitude. Viver bastante pode favorecer esse conhecimento. A ciência descobriu que conforme envelhecemos temos melhores condições de ser felizes ou de reconhecer o que realmente é importante na vida.

Isso pode ser comprovado na prática. Pessoas que têm longevidade demonstram equilíbrio e maior tranquilidade em relação ao futuro, procurando reconhecer motivos para sentir plenitude - e não mais baseando a felicidade em meros desejos. Cada novo dia é realmente uma nova oportunidade de viver!

Quem vive muito percebe mais intensamente a precariedade da vida, mas também a incrível força da natureza, que deve ser absorvida e não destruída ou transformada em nossos desejos. O arquiteto Oscar Niemayer, aos 103 anos, lamenta a partida de tantas pessoas que amou, mas reconhece que o respeito pela vida é imprescindível. Ainda trabalha em projetos, como sempre desprendido do dinheiro, que nunca foi para ele mais importante do que o zelo pelas suas obras. Ter 103 anos, hoje, não é mais surpreendente, ainda que seja uma caminhada para poucos. O segredo, certamente, deve envolver menor estresse pela ânsia do possuir, do ter, do querer...e da frustração que atingir unicamente esses objetivos materiais provoca!

Eternos desejos, eternas insatisfações, medo e uma vida resumida em sua percepção. Parece ser esta a conclusão. Quanto mais se artificializa, mais a humanidade parece entender que o caminho está truncado e que a vida baseada na ferocidade dos recursos materiais não fornece segurança a ninguém! Não é possível sobreviver de escombros. Quem sabe não é este um início, ainda tímido, da consciência humana e da busca do equilíbrio e da tão sonhada plenitude? (Mirna Monteiro)


 


Monday, January 10, 2011

RIA DE SEUS PRÓPRIOS PROBLEMAS




Mais do que nunca as pessoas tem a necessidade de aprender a rir. E a rir de seus próprios problemas. Será isso possível?
Rir é tão fácil como chorar. Podemos rir de tudo e de todos quando acharmos graça. Também rimos de coisas sem graça. Podemos rir sem ter motivos para rir. Rir dos próprios problemas? Achar graça por não poder pagar as dívidas?
Que o riso é terapêutico, isso é. Mas...é bom lembrar. Há muita gente que não consegue rir. Quando muito conseguem esboçar um pálido sorrido, quando a piada pede uma gargalhada!
Acho que já escrevi alguma coisa sobre a professora Ursula Hausting. Ela é especialista em pedagogia do riso. Como começa a aula? Fazendo entre os alunos uma rodada de "riso forçado". Do riso forçado os alunos chegam ao riso espontâneo.
É isso aí. Rir e coçar é só começar. É verdade. Portanto se você estiver enfrentado algum dificuldade, não se aborreça. Dê uma risada forçada. Logo você estará rindo espontaneamente da dificuldade. E então você se convencerá de que ela não era tão séria assim.
Séria. Portanto ria! O riso é o elixir do bom humor. Quem já não ouviu dizer que o bom humor é o melhor amigo da saúde? Tanto isso é verdade que os "doutores do riso"fazem sucesso nos hospitais.
O riso espanta a tristeza. O sorrido faz parte da comunicação social. O riso mata o desânimo.
O riso é individualista. Os palhaços e os humoristas são, na verdade, autênticos professores do riso. Dizem as estatísticas que o brasileiro é o povo que mais sabe rir.
Não vamos exagerar. Ainda há muita tristeza precisando de riso. Diz um provérbio antigo que "tristezas não pagam dívidas". O riso também não, mas ajuda a suportá-las. ( crônica do jornalista Roberto Monteiro)

LEIA TAMBÉM:  http://artemirna.blogspot.com/2008/07/rir-mesmo-o-melhor-remdio.html

Wednesday, January 05, 2011

VIVA O DIA DE REIS

Reis Magos: simbolismo poderoso de união entre os povos 

Ao contrário do Natal - celebrado em todos os cantos do mundo - o Dia de Reis, em 6 de janeiro, não é muito comemorado. Na Europa a data tem sua importância, principalmente na Itália, onde os presentes fazem a festa no dia 6 de janeiro e não no dia 25 de dezembro,  na Espanha e em Portugal, mas no Brasil a maioria das pessoas sequer espera essa data para desfazer a árvore de natal e outros enfeites, como as luzes!

Mas afinal, qual o significado do Dia de Reis? Belchior, Baltazar e Gaspar simbolizam a proteção ao menino Jesus que já era perseguido pelo inseguro Herodes, na visão bíblica do acontecimento. Cada um deles chegou de reinos diferentes, trazendo presentes de simbolismos fortes, como o ouro oferecido por Belchior, deferência reservada apenas aos deuses, o incenso, trazido da Índia por Gaspar, referência à divindade da criança, e a mirra, proveniente da África e ofertada por Baltazar como poder de cura.

Uma tradição interessante é a Folia de Reis, herdada dos colonizadores portugueses. Na verdade ela acontece antes e depois do dia 6 de janeiro, marcando a data através de grupos folclóricos que tocam musicas e dançam, passando nas casas a noite e cantando estrofes para que as luzes sejam acesas e eles sejam recebidos para cear ou tomar café.

Mas é interessante também como Belchior, Baltazar e Gaspar ganharam a fama de propiciar boa sorte e fortuna, recebendo comemorações e rituais diversos para que o ano seja farto. A começar pelo bolo de Reis ou uma rosca generosa, que tradicionalmente recebe em seu interior uma fava, substituída hoje por confeitos especiais ou até peças em ouro, como uma aliança que garantirá a quem recebe-la em seu bocado um bom casamento.

Tradições a parte, vivenciadas ou esquecidas, a principal comemoração do Dia de Reis para quem celebra a tradição é a consciência de que o mundo não é separado pelas culturas e origens, mas forma um mesmo espaço de convivência,onde as diferenças permitem a evolução constante. Assim como os Reis Magos vieram de origens diferentes, para reconhecer que a humanidade pode ser representada em um ideal de respeito a natureza e de convívio pacífico, na busca pela abundância de recursos e maior equilíbrio no nosso sistema. (MM)

Monday, January 03, 2011

ONDE ESTÁ A VERDADE?

Por que

as pessoas

mentem

                  tanto?


Nos velhos tempos dos sofistas, mestres itinerantes do conhecimento politicamente correto, a mentira era utilizada como artifício do poder, ou seja, a verdade era "ligeiramente" deturpada ao sabor das intenções sofistas. Por isso essa palavra ganhou uma conotação pejorativa.
Passados uns 3 mil anos, a mentira parece permanecer inevitável n exercício do poder, seja ele político, econômico, familiar ou social.
E ainda funciona! Velho como a humanidade, pois certamente esse artifício já nasceu com o homem, que para sobreviver precisava enganar seus predadores.
Mas mesmo sendo tão conhecida, é possível reconhecer a mentira? Ou as pessoas disfarçam, aceitando-as como verdade, quando lhes convém, mesmo que reconheçam a sua precariedade?
O problema é que a mentira pode ser extremamente destruidora. Como na política ou nas ciladas criadas pela inveja.Na Filosofia, a mentira é perigosa. É o caso do sofisma.O sofista faz retórica. O filosofo faz dialética.
Na retórica o ouvinte é levado por uma enxurrada de palavras que, se adequadamente compostas, vão persuadir, convencer, mas sem transmitir conhecimento algum. Já na dialética, que opera por perguntas e respostas, a pesquisa procede passo a passo, e não é possível ir adiante sem deixar esclarecido o que ficou para trás. O sofista refuta por refutar, para ganhar a disputa verbal. O filósofo refuta para purificar a alma de sua ignorância
Há quem considere deteminadas verdades destruidoras...Muitos que pedem a franqueza não estão preparados pra poder lidar com a realidade.Há verdades que não precisam ser ditas, assim como há mentiras que são necessárias.
Será que o pensamento livre, crítico, independente poderá prevalecer e a sociedade encontrar e uma forma de convivência baseada na verdade? Admitir a realidade não nos torna mais fortes e preparados para os desafios da vida?
Talvez o problema não seja a franqueza, mas a ausência de isenção ao utilizar a verdade.

Não vamos confundir mentiras com "faz de conta"! Imaginar uma realidade e conduzi-la ao sabor das próprias expectativas, como fazem as crianças nas brincadeiras, faz bem. Tanto é que a criança começa a entrar em choque com a realidade quando ela percebe que o faz-de-conta é muito diferente das mentiras que os adultos começam, logo cedo, a ensinar!

E o pior é que usando de hipocrisia e mentiras, os adultos pretendem que a criança seja absolutamente sincera! Crianças são inexperientes, mas são extremamente sensíveis à toda atitude contrária à natureza.

Da mesma maneira, o faz-de-conta dos adultos, através da ficção, é extremamente salutar. Aliás, é uma mola que impulsiona o mundo! A imaginação humana é premonitória e rica em estímulos para o futuro. Que o diga os grandes escritores de ficção, como Julio Verne!

O mundo seria enfadonho e estático sem a mentira? Os próprios deuses do Olimpo adoravam intrigas e se divertiam com isso. Eu já considero que há um ligeiro engano de interpretação: não é a mentira, mas a falta de imaginação que tornaria o mundo chato.
A mentira é perigosa!
Enfrentar a verdade é a única chance de sobrevivência individual, familiar, comunitária, ou da própria humanidade
Não é possÍvel concordar com a idéia de que podemos conviver com a hipocrisia e mentirinhas. O desejo da verdade aparece muito cedo nos seres humanos. Há necessidade de confiar nas coisas e nas pessoas
Por isso, neste terceiro milênio, a sociedade entra em choque constatando uma terrível realidade: a mentira está terminantemente contida nos meios de comunicação e expressão, seja eles quais forem. Tornaram-se instrumentos com alto poder de persuasão e de confusão também!
Mas há o contrapeso: é suficientemente capaz de arrancar a esperança de que o pensamento livre, crítico, independente ainda haverá de prevalecer? Que uma forma de convivência mais baseada na verdade possa vir a ocorrer ?
Cresce em nossa sociedade a exigência da verdade, clara e límpida. É o desejo e a necessidade da busca da verdade. Há um sentimento generalizado e crescente de que os valores éticos devem retornar, sob pena de convulsão social.
Em tempos onde o acesso à destruição é quase prosaico, não se pode fingir que mentiras são inofensivas. Seria utópico imaginar uma sociedade, deformada como a nossa sociedade humana, com a herança que possuímos, feita de seres absolutamente honestos e isentos. Mas sabemos que as pessoas são diferentes e é essa diferença que permite equilibrar o mundo. Há pessoas com valores definidos, as tais do "fio de barba", assim como há aquelas que vivem para a malicia, mentira e hipocrisia.Tão certo como o anseio
do ser humano pela Verdade.
Como sofremos pela falta dela!  (Mirna Monteiro)